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Semana 01 (09.02 a 13.02) - Israel e Hamas - A crise sem fim?

Israel e Hamas - A crise sem fim?
Estamos assistindo mais uma vez os conflitos em Gaza entre Israel e palestinos. Mas quem será que tem razão? São os israelenses, que sempre vêm com tanques e artilharia pesada, ou os palestinos, muitas das vezes armados de pedras, como na última intifada?

Desta vez, os palestinos vieram com foguetes Qassan. Foguetes preparados pelo próprio Hamas. Com material contrabandeado do Egito. Vindo de onde? Do Irã, certamente.
E todo esse poderio bélico de Israel, de onde vem? Dos EUA.
É praticamente tudo "made in USA". Um observador leigo, que não esteja a par dos desdobramentos históricos ou diplomáticos, pode não entender de pronto a causa de um conflito tão intenso. Os motivos, naturalmente, são muitos. Mas o principal está no fato de que, historicamente falando, a culpa é dos EUA e da Grã-Bretanha.

A Grã-Bretanha colonizou praticamente o mundo todo no século XIX e muito dessa dominação persistiu por muitos anos durante o século XX, principalmente no Oriente Médio e África.
A maioria dos países do Oriente Médio que vemos no mapa não existiam a pouco mais de 100 anos atrás. São frutos do colonialismo britânico, que preferia criar um "onintorrinco" geográfico-político a respeitar a dinâmica social e histórica dos povos que colonizava. Criaram aberrações no Iraque, no Iêmen, no Bahrein e na Palestina.

Quando o movimento sionista, ainda conceitualmente, começou a florescer nos corações e mentes dos judeus - isso ainda um pouco antes da Segunda Guerra Mundial -, Gaza era ocupada pelos ingleses. Após a Segunda Guerra, o movimento sionista ganhou força e enfim, em 1948, criou-se o Estado Judeu, tendo como "sócia" política e ideológica a Grã-Bretanha. Israel foi criado em detrimento da desocupação dos palestinos, que até então estiveram sob égide dos britânicos, que aos poucos foram se retirando de Gaza, deixando Israel surgir como nação e ocupando esse vácuo de poder que a Grã-Bretanha provocou.
O grande problema nesse episódio foi a colonização, o seu conceito em voga à época. Os palestinos estão sendo dominados por forças estrangeiras há séculos. Começando pelos romanos, depois os otomanos, os turcos, os egípcios, os árabes e os ingleses. Todos dominaram mas não expulsaram os palestinos de suas terras. Israel, nos seus primeiros anos de vida, estabeleceu-se na região retirando à força vilas inteiras, pequenas fazendas, gente que já estava ali há gerações. Que até suportariam, ainda que com protestos, a presença de mais um colonizador, mas não um tirano usurpador de suas terras, de seus lares ancestrais.
Foi o que Israel, capitaneado por David Ben Gurion, que fora o primeiro líder político de Israel, seu primeiro-ministro, fez com os palestinos. Com apoio de muitos sionistas históricos, tal qual Yitzhak Rabin - conhecido gentilmente pelos palestinos como "quebra-ossos" por causa de sua tentativa de conter a primeira Intifada em 85, mandando os soldados israelenses quebrarem as pernas dos revoltosos - e que fora assassinado em 4 de novembro de 95 por um fundamentalista... judeu. Rabin ganhou prêmio Nobel da paz em 1994, juntamente com Shimon Peres e Yasser Arafat.
A criação do Estado de Israel foi um ato administrativo-político, realizado em ambiente climatizado, com seus pares,elegantemente vestidos e educados. Os mesmos senhores colonialistas de então. Que resolveram dar um prêmio de consolação aos judeus, até então as maiores vítimas da Segunda Guerra Mundial. Não levando em conta a realidade dos palestinos em Gaza e Cisjordânia.
O que é mais inusitado e aterrador é que Israel foi fundado pela causa de um povo que desejava paz e um lugar no mundo para dizer seu. Um povo que vinha sendo massacrado e nômade a séculos. Israel foi destruído pelos romanos em 381 d.c e só voltou a ser nação no 1948 d.c. Séculos de desagregação, permeados de perseguições, tramas, mortes, racismo e muita tristeza.
No entanto, enquanto Israel nasce, tudo o que os judeus sofreram fazem, aplicam e replicam nos palestinos. O que Ben Gurion e os primeiros sionistas pretendiam, fizeram e ainda fazem é uma limpeza étnica. Um Estado Judeu na Palestina, para judeus e só para judeus.
O absurdo é que, não havia muito tempo, os judeus haviam sofrido perseguição e extermínio atroz pelos nazistas. Tendo sido roubados, vilipendiados, discriminados, privados de suas casas, posses, parentes, vidas... massacrados pela política insana de Hitler. E praticamente usaram o mesmo modus operandi na Palestina.
Israel nasceu sob fogo cruzado, tendo que enfrentar praticamente todo os países árabes da região. Na Guerra dos 6 dias lutou e venceu. Uma luta que até hoje é causa de revolta, porque o que se lutava naquela guerra era principalmente pela água que brota nas Colinas de Golan, que faz fronteira com Líbano e Síria.
Hoje em dia, os principais aliados de Israel são EUA e Grã-Bretanha. Apesar dos EUA terem muito interesse no mundo árabe, vide Arábia Saudita, por causa do petróleo e por causa dos imensos investimentos sauditas na América. Os sauditas são donos de boa parte da riqueza e das dívidas americanas. O Estado Saudita não reconhece o Estado de Israel. O maior aliado americano no Oriente Médio é Israel e vice versa.
A relação americana com a causa sionista é muito intrínseca, pois muitos sionistas moraram e fomentaram o progresso na América. Einstein, Schoppenhauer e outros. Muitos industriais e parlamentares.
Na Inglaterra, a família Rothschild, dona das maiores fortunas e dona da dívida inglesa, foi quem financiou as aventuras colonialista inglesa e a revolução industrial. Com dinheiro judeu. Atualmente, os maiores protestos contra a guerra em Gaza ocorrem na Inglaterra, que conta com um imensa população descendente de árabes e palestinos fora do Oriente Médio. E na França, que tem a maior população islâmica na Europa. A maioria argelinos.
Os palestinos, por sua vez, não possuem aliados históricos. O Egito, país que faz fronteira com Gaza, não tem nenhum interesse pela causa palestina e nem está propenso a ajudá-los. Por causa, justamente, do Hamas, que quer insuflar revoltas nos fundamentalistas egípcios afim de fundarem uma nação fundamentalista. O Egito, embora não seja um país democrático - seu presidente Hosni Mubarak está no poder desde 14 de outubro de 1981 -, não se envolve nas questões políticas dos palestinos e já foi mediador de acordos de paz na região. O Egito tem relações muito próximas com a Grã-Bretanha. Não está interessado em fundamentalismo religioso e, portanto, tem muito interesse na aniquilação do Hamas.
Israel tem o direito de existir e se defender. O Hamas,não é um grupo legítimo, sendo um celeiro de terroristas, que inclusive usam a população civil para realizar o lançamento de seus foguetes. Por isso Israel estar bombardeando áreas civis. O Hamas criou uma situação de confronto insustentável e insana. E certamente pagará o preço disso. No entanto, gente inocente está sofrendo a ação irresponsável de alguns.
Talvez a única solução para esse conflito, que tem raízes históricas, seja o que alguns estudiosos do tema, muitos deles judeus, tais como Ilan Papè e Benny Morris, defendem: a criação de um Estado Binacional. Uma nação dividida entre palestinos e israelenses. O que é quase que na prática acontece, pois os assentamentos judeus estão dentro de Gaza e muitos árabes-israelenses vivem e trabalham em Israel. Um aprende e fala língua do outro. Se não fosse a guerra psicológica e real, se não fossem os muros e cercas mentais e reais, viveriam juntos e talvez felizes.
Nossa Missão!
  1. Analisando o texto acima quais as principais razões do conflito entre Israel e Palestina? Aponte as principais características deste processo ao longo da história?
  2. Se você fosse explicar este conflito para um grupo de amigos do seu bairro como fosse faria? Como seria sua abordagem? Quais os temas citaria?
  3. O texto aponta algumas possíveis soluções para o conflito. Quais seriam estas soluções? Existem outras soluções?
  4. Analisando o texto elabore um mapa esquemático (Causas, Etapas, Consequências e Conclusão).
  5. Como podemos entender o Sionismo e o Hamas?

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