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Tema 2 - O ano só começa depois do carnaval?

Prezados compatriotas,

Deixem as serpentinas, as espuminhas e as fantasias carnavalescas de lado, as lembranças das festas no litoral, aquela vida utópica e cheia de glamour, ou seja, tudo aquilo que é “fantasia”, para vivermos definitivamente a realidade. Aliás, realidade absoluta, com os dois “pés no chão”, pois o ano começou e como ensina o jargão popular “a ano só começa depois do carnaval”. Logo, o nosso ano já começou!
Falando em carnaval, deixando de observar a importância cultural, financeira e artística da festa, posso afirmar que o carnaval é momento mais “ilusório“ do ano, tudo parece festa, ou melhor, “quase” tudo e festa! Esquecemos as contas, as parcelas atrasadas, o desempenho dos políticos, e quase tudo é esquecido propositadamente, afinal é carnaval!
Particularmente, observei alguns comportamentos em diferentes faixas etárias, surpreendentemente a tese de que quase tudo é esquecido neste período, em muitos momentos, parece ser verdadeira!
Primeiramente, observei como os jovens entre 14 e 20 anos se comportavam diante da festa, a maioria desconhece a origem e o significado do carnaval, aliás, as respostas que eu obtive foram pífias e totalmente descontextualizadas, a maioria encara como um feriado onde “os hormônios” afloram com maior facilidade, e digo, é uma erupção de hormônios. No litoral alguns pegavam o carro importado da família, passavam em alta velocidade, com garrafas de vodka nas mãos e gritando com as pessoas das calçadas. Nas conversas o debate girava em torno da quantidade de bebida que poderiam ingerir e de quantas (quantidade) poderiam “pegar” numa mesma noite, tudo isso ainda com o porta-malas levantado e com som alto, balbuciavam músicas com letras curtas e de fácil aprendizado, coisa como MC Creu e um estilo denominado de Psy. Enfim o carnaval que cantava o poeta Gonzaguinha “Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar” deu lugar para um ritmo eletrônico estimulado por som alto e sem voz e diversos adolescentes embriagados.

São coisas do carnaval!


Em seguida observei uma segunda faixa, de 21 a 27 anos. Eram mais fechados no ciclo de amizades, andavam sempre em grupo, com as namoradas (os) acopladas (os) como fossem componentes do mesmo ser. Os debates giravam em torno do carro novo e seus motores, churrasco e cerveja, os universitários, pasmem, parecem conhecer menos que os adolescentes, pois na tentativa de explicar algo detalhadamente, acabavam esbarrando na cretinice de uma universidade de “fundo de quintal”, que os ensinava que o carnaval era momento de “esquecer tudo” e colocar suas “máscaras”, aliás muitos colocaram “máscaras” do Schumaker e encanavam a personagem passando por ruas estreitas em alto giro!



São coisas do carnaval!



A última faixa observada, o grupo de “boa idade”, entre 28 e 40, devido a maturidade e longevidade de vida, ficou entre os melhores do carnaval, somente alguns detalhes chamaram minha atenção, a falta de comprometimento com os filhos, que se dirigiam as praias com todo tipo de tranqueira e deixam tudo jogado, amontoando um lixo gigantesco (copos, papel, palitos, plásticos, etc.) e no final da tarde ninguém viu nada e vamos embora! Outro grande detalhe, foi à permissividade com as bebidas e a irresponsabilidade social, como uma pessoa em “sã” consciência entrega um carro de R$ 90.000,00 nas mãos de um filho “menor” de idade e embriagado? A resposta que eu obtive foi: É carnaval, professor!



São coisas do carnaval!



A festa também teve seus aspectos positivos, o carnaval paulistano, que teve a Vai-Vai com grande campeã do grupo especial, demonstrou que está em franco crescimento e sem apoio nenhum do governo federal, as escolas mostraram em seus enredos mensagens históricas fantásticas, homenagens as grandes personalidades brasileiras e acima de tudo muita criatividade.
No mais muitas famílias, contrárias a tudo que escrevi acima, aproveitaram serenamente reunidos como verdadeiras “famílias”. Minha família mesmo, há mais de 15 anos não se reunia, e neste carnaval estávamos unidos em meio a serpentinas e muito churrasco.



São coisas do carnaval!



E o que nos resta agora? Esperar mais feriados? Verificar as contas a pagar do mês de janeiro e fevereiro? Voltar definitivamente às aulas? Tudo dependerá de como projetarmos nosso ano, ou colocamos os nossos pés no chão ou criarmos ilusoriamente um carnaval o ano inteiro.
A opção é sua!

Carinhosamente,
Prof. Leandro Andrade da Rocha

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