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Tema 1 - Sociedade Big Brother: vontade e competição!

Queridos pensadores,
"Tornem-se aquilo que são"

Schopenhauer, filósofo nascido em Danzig (antiga província da Prússia) disse sabiamente ainda no século XVIII “o homem é dominado pela vontade, por um fluxo incessante de desejos que oscilam continuamente entre o tédio e a dor”. Obviamente que a visão pessimista de Schopenhauer pode permitir ainda que acrescentemos outras qualidades como: a alegria e competição.


Neste pequeno tratado, quero destacar em especial duas questões: a competição e os desejos, pois acredito que ambos são genealogicamente produtores dos outros, digo alegria, tédio e dor.


Desde que o capitalismo ganhou forças em esferas globais, saindo de um mercantilismo e chegando a um sistema “selvagem” denunciado por Karl Marx no Manifesto, as formas como os seres humanos se relacionam mudou muito, partimos de sociedades patriarcais, passamos por sociedades onde os laços de fidelidade valiam mais do que qualquer contrato e onde a palavra de um homem era o maior valor, para chegarmos a uma realidade onde nem os contratos e muito menos a palavra vale muito. É a sociedade Big Brother.



Utilizo o termo Big Brother para fazer uma alusão justa ao programa exibido em várias emissoras de televisão do mundo, no Brasil, pelo Sistema Globo de Comunicações, a sociedade dos “Grandes Irmãos”, que de grande, existe apenas o “desejo” de ganhar e "competir".



Se olharmos a estrutura do programa, já na sua oitava exibição, perceberemos que o filósofo estruturalista Levi Strauss tinha razão “A sociedade segue padrões, quase que intocáveis, mudam-se apenas os nomes”. No programa as coisas não mudam muito! Há sempre alguém que defende a causa homossexual, outro que é afro descendente, outro que tem uma personalidade mais forte, outro que é simples, porém verdadeiro, e há aquele que pela união de diversos fatores agrada o público e leva prêmio milionário. O que os impulsiona a estar ali? A grande “amizade”? A necessidade de mostrar valores? Ou seria o espírito de “competição” e de “desejos” de cada individuo em ganhar?. Se isso não fosse verdade não repetiriam dezenas de vezes por semana “isso é um jogo”, e no jogo há sempre competição e desejo de “ganhar”!


Mas você deve estar questionando-me a esta altura do texto:

- O que eu tenho haver com isso?

Este programa que desperta a curiosidade de milhões de brasileiros, é na verdade um grande espelho da verdade, é um reflexo das nossas mais puras vivências cotidianas, acredito que estamos vivendo num grande Big Brother, aqui as coisas não mudam muito, o espírito de competição é o mesmo e o desejo de sucesso é uma constante, o que vemos no programa é um reflexo da nossa realidade, deve ser por este motivo que “gostamos” de alguns membros da casa e "odiamos" outros, nos identificamos por nossos valares morais, étnicos e religiosos, projetamo-nos para dentro do programa, porém, nos esquecemos que estamos também jogando aqui fora.



Observo o comportamento das pessoas e vejo como elas se revoltam com as atitudes de alguns confinados que “mentem” e “traem”, dizem-se indignados pelas atitudes e torcem para que o “mentiroso" e o "traíra" sejam colocados no paredão! Quantas hipocrisias e uma visão superficial de mundo! Fazemos isso como se não mentíssemos nem traíssemos as pessoas ou nossos ideais em certos momentos da nossa existência, logo, também mereceríamos um paredão? Merecemos a excluísão do jogo? Você acharia isso justo?



Na sociedade Big Brother, colocamos as pessoas no paredão constantemente, excluímos do nosso “rol” aqueles que são diferentes dos nossos arquétipos e ainda pregamos igualdade de valores e etnias. Um dos maiores pensadores da antiga Alemanha, Nietzsche dizia “Torna-te aquilo que és” Que missão terrível seria esta, tornarmo-nos aquilo que somos de verdade, sem medo de dizer o que pensamos, de mostrar nossos defeitos e nossos planos, aqui no mund real também traçados "estratégias" é o capitalismo, mudar isso seria uma grande utopia!



Na sociedade Big Brother, o que nos move é o “desejo” (mesmo que por muitas vezes custe oportunidade do outro) e a “competição” (mesmo que custe, por vezes, a derrota do companheiro).



Tenho medo deste jogo!
Quem seria o apresentador deste jogo?

Boa reflexão



Leandro Andrade da Rocha

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