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Semana 03 (09.03 a 13.03) - Riobaldo: O Jagunço-Filósofo



Leia atentamente o texto, adaptação da obra literária de Guimarães Rosa

"O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, forro, sou nascido diferente. Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo... Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. O senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou cão mestre - o senhor solte em minha frente uma idéia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos. Amén!" pg. 8

"Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar - é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo. (...) Deus existe mesmo quando não há. (...) Mas a gente quer Céu é porque quer um fim: mas um fim com depois dele a gente tudo vendo." pg. 48

"A gente vive repetido, o repetido, e, escorregável, num mim minuto, já está empurrado noutro galho. Acertasse eu com o que depois sabendo fiquei, para de lá de tantos assombros... Um está sempre no escuro, só no último derradeiro é que clareiam a sala. Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia." pg 52

"[U]m rio é sempre sem antiguidade." pg. 125

"[U]m amigo... é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é." pg. 155

"[E]u careço de que o bom seja bom e o rúim ruím, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero os todos pastos demarcados... Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero. Ao que, este mundo é muito misturado..." pg. 191-2.

"Tudo o que já foi, é o começo do que vai vir, toda a hora a gente está num cômpito. Eu penso é assim, na paridade... Um sentir é o do sentente, mas outro é o do sentidor. O que eu quero, é na palma da minha mão." pg. 273

"Consegui o pensar direito: penso como um rio tanto anda: que as árvores das beiradas mal nem vejo... Quem me entende? O que eu queira. Os fatos passados obedecem à gente; os em vir, também. Só o poder do presente é que é furiável? Não. Esse obedece à igual - e é o que é." pg. 301

"O senhor não pode estabelecer em sua idéia a minha tristeza quinhão. Até os pássaros, consoante os lugares, vão sendo muito diferentes. Ou são os tempos, travessia da gente?" pg. 35

"Natureza da gente não cabe em nenhuma certeza." pg. 367

(excertos selecionados por Marco Antonio Frangiotti, de Rosa, J. G. (1988): Grande Sertão: Veredas, Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira)
Propostas de Atividades

1) A obra de Guimarães Rosa “Grande Sertão Veredas, a utilização de um vocabulário diferenciado, às vezes arcaico, é bastante comum. Aponte as principais palavras “incomuns” no texto acima e em seguida procure no dicionário o significado destes termos.

2) Qual o tema central do texto do autor? Podemos relacioná-lo a temas atuais dentro da nossa sociedade?

3) Pesquise sobre a vida e obra de Guimarães Rosa e sua importância para a literatura brasileira.

4) Por que o autor chama o Jagunço de Filósofo? Aponte onde esta comparação é evidenciada e relacione com o conceito de Filosofia na modernidade.

5) Qual o contexto histórico do texto? O texto aponta evidências sobre a realidade social, econômica e política das personagens?

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